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A cultura moderna na Estónia


Situada entre a Europa Oriental e a Europa Ocidental, a Estónia também constitui uma fronteira de culturas ou, para ser mais exacto, um ponto de passagem. Na tradição destas regiões, é possível encontrar elementos oriundos tanto do Leste como do Ocidente, mas na sua maioria os estónios consideram-se sobretudos ligados à Escandinávia. É precisamente nas culturas marginais e fronteiriças que se encontram os mais interessantes fenómenos e combinações. Neste aspecto, a Estónia oferece inúmeras possibilidades. Apesar das reduzidas dimensões do país, a cultura moderna na Estónia inclui uma grande variedade de facetas às quais é por vezes difícil atribuir um denominador comum.

Culture_Paavo_JarviUm dos aspectos mais relevantes da cultura estónia é sem dúvida a música clássica moderna. Compositores como Arvo Pärt, Veljo Tormis e Erkki-Sven Tüür dispensam apresentações junto dos apreciadores da música dita séria. O mesmo se pode dizer de maestros como Neeme Järvi, Paavo Järvi, Eri Klas e Tõnu Kaljuste, que têm trabalhado com orquestras e coros de todo o mundo, assim como de Anu Tali, que cada vez mais tem vindo a despertar atenções.

Ao longo dos séculos, o papel desempenhado pela música e pelas canções tem sido da maior relevância para a preservação da nação estónia. A tradição dos grandes Festivais de Canções, que se iniciou no século XIX, com o avolumar do movimento nacional, ainda hoje continua a ser um evento cultural de características muito próprias. O maior destaque do festival é sempre o do momento quando aproximadamente 25 000 estonianos congregam-se debaixo do Arco do Festival das Canções e cantam em conjunto.

 Em anos recentes, o Festival de Música Folclórica de Viljandi tem suscitado adeptos de todas as idades, ao mesmo tempo que ajuda a conservar e a manter viva a música tradicional de diferentes povos.

As audiências são atraídas também pelo festival da música jazz Jazzkaar, o distintivo Festival Brigitta que junta música e teatro, Lago Leigo Festival da Música que se realiza no meio da bela natureza do Sul da Estónia. O recém-chegado à cena dos festivais é o Festival Nargen liderado pelo maestro Tõnu Kaljuste, que tem introduzido concertos de verão nas pequenas ilhas da Estónia.

Os talentosos músicos da Estónia estão destacados no anual Tallinn Music Week a decorrer durante todas as primaveras deste 2009, que pretende introduzir música estónia ao mundo em geral. A banda Svjata Vatra e a Iiris, uma cantora jovem, ganharam grande fama graças a este festival.

Embora as artes visuais não estejam sujeitas às barreiras linguísticas, o caminho dos artistas estónios para o sucesso internacional tem sido mais difícil do que na música. Desde 1997 que a divulgação da arte moderna da Estónia ganhou novo impulso com a Bienal de Veneza, onde têm estado representados alguns dos maiores artistas do nosso país, nomeadamente Jaan Toomik e  Ene-Liis Semper, para além de Marco Laimre, Kaido Ole, Marko Mäetamm e outros.

Culture_KUMUO acontecimento mais importante destes últimos anos, foi sem dúvida a inauguração do novo edifício do Museu das Artes da Estónia – KUMU Art Museum – no início de 2006 em Kadriorg. Pela primeira vez nos seus 90 anos de história, o museu apresenta uma exposição permanente de arte estónia desde o início do século XVIII até à década de 1990. Para além da exposição permanente do Kumu, há também uma galeria de arte moderna e um grande salão de exposições onde têm sido exibidas obras de artistas estónios e de outras nacionalidades. Ao Kumu foi atribuído o Prémio Anual do Museu Europeu (European Museum of the Year Award) em 2008.

Devido à sua tradição protestante, a cultura estónia tem-se centrado mais na palavra do que na imagem. Em consequência disso, a literatura tem ocupado um lugar de destaque em relação às outras artes. Dentro do actual cenário caleidoscópio da literatura estónia é possível detectar diversas tendências. Seguindo uma linha de continuidade, têm sido publicadas novas obras de Jaan Kross, o arcano da literatura estónia, que se tem debruçado sobre a história e os destinos do nosso povo. Jaan Kaplinski, prosador versátil, poeta, ensaísta e tradutor, também tem publicado obras influentes. Ao longo da última década, têm tido eco as obras de Tõnu Õnnepalu, e os textos de Hasso Krull têm desempenhado um papel importante na revelação do significado da cultura. Viivi Luik tem escrito poesia e prosa onde encadeia magistralmente a história e a experiência pessoal. Doris Kareva é uma continuadora da tradição da poesia feminina na Estónia. Andrus Kivirähk é hoje um dos escritores mais populares do país, graças ao seu estilo muito próprio de relatar a mitologia estónia.

Para além da literatura estónia, a tradução tem desempenhado um papel essencial na interpretação dos clássicos da ficção, da história e da cultura. Os problemas da preservação, do desenvolvimento e da evolução da língua estónia, que é falada por menos de um milhão de indivíduos, bem como a criação de um vocabulário próprio em todos os domínios, têm sido uma preocupação sensível de uma sociedade cada vez mais aberta ao exterior. Os meios de difusão culturais desempenham a mesma função, uma vez que o número dos seus leitores é proporcionalmente elevado quando se considera a totalidade da população.

O teatro estónio que é muito influenciado pelas escolas do teatro da Rússia e Alemanha, tem tradições fortes e é muito apreciado pelo público. O teatro mais antigo de toda a Estónia, o “Vanemuine”, de Tartu, confirmou as suas características universalistas ao levar à cena dramas, peças musicais e bailados. Para além do Teatro Dramático da Estónia e da casa de espectáculos “Estónia”, dedicada ao bailado e à opera, que são ambos considerados os teatros principais da Estónia, o Teatro da Cidade de Tallinn tem-se revelado uma instituição de grande qualidade. O mais recente teatro da Estónia, o NO99, tem vindo a despertar as atenções com a sua direcção inovadora. Produções grandes do NO99 têm obtido uma grande variedade de respostas da sociedade da Estónia.

Para além dos grandes teatros do estado, muitos teatros e grupos alternativos tem vindo a afirmar-se. Por mérito próprio, o teatro de Verão tornou-se um fenómeno de grande atracção popular, descobrindo novos locais para entretenimento e para outros espectáculos mais sérios fora das habituais salas.

Mas não é só o teatro, pois também a produção de filmes adquiriu novo incremento. Para além de novas fontes de investimento e de criatividade, emergiu uma nova geração de realizadores (Veiko Õunpuu, Ilmar Raag, Tanel Toom, Andres Maimik, Jaak Kilmi, etc.) a engrossar as fileiras dos já consagrados (Jüri Sillart, Peeter Simm). O Festival de Cinema das Noites Escuras é sem dúvida o acontecimento anual mais relevante neste domínio, um ponto de encontro para os apreciadores de cinema, tanto da Estónia como dos países limítrofes. No entanto, e ao longo de décadas, o paradigma do cinema estónio têm sido os filmes de animação, e os realizados por Priit Pärn contam-se entre os melhores do mundo.

O ambiente físico que circunda os estónios tem sido alvo de tantas mudanças como o ambiente cultural.

A arquitectura e a requalificação urbana têm sido tópicos de vivos debates, sobretudo em Tallinn onde convivem lado a lado a Cidade Velha, considerada Património Mundial pela UNESCO, e a cidade nova, com os seus edifícios espelhados de escritórios, bancos, hotéis e centros comerciais. Outro tema em discussão tem sido os monumentos, recordações de tempos passados e por vezes controversos da história da Estónia, para além de assinaláveis obras de arte e de arquitectura urbana. A acrescentar a esta envolvente física e espiritual, há ainda a considerar uma terceira instância, o espaço virtual, cada vez mais presente na vida quotidiana e cultural do povo estónio. Os novos processos tecnológicos têm vindo a imprimir a sua marca própria na evolução nas artes visuais e nos meios de comunicação através de jornais electrónicos e sítios profissionalizados na Internet. Esta abertura face a novas possibilidades reflecte a mobilidade e a capacidade de adaptação de uma pequena cultura, sem que isso ponha em causa a sua identidade.

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