Eesti English
Português
Estónia » História »

1944: um ano trágico na História da Estónia


Em 1994, as forças Soviéticas e Alemãs travaram duras batalhas em solo Estónio, resultando em pesadas baixas para ambos os lados.
Milhares de Estónios, os quais combateram tanto sob o comando Alemão como Soviético, foram envolvidos no conflito e, por vezes, forçados ao combate entre si em lados opostos da frente de batalha.

Estes homens alimentavam a esperança que a guerra conduzisse à restauração da independência da Estónia.

O ano de 2004 assinala os 60 anos das batalhas de 1944 e da tentativa de restauração da independência da República da Estónia.
A Estónia homenageia as dezenas de milhares de Estónios que perderam a vida em 1944 e que sofreram em campos de trabalho, em nome da independência da Estónia.


Esta folha informativa irá descrever algumas datas e eventos, ocorridos em 1994, que foram determinantes na História da Estónia.


A ocupação Soviética e Alemã na Estónia

  • A União Soviética anexou a Estónia em Junho de 1940. No decorrer do verão de 1941, o regime Soviético exerceu repressões em massa na Estónia. Em Junho de 1941, mais de 10 000 pessoas, na sua maioria idosos, mulheres e crianças, foram deportadas para a Sibéria. A ocupação Soviética nunca foi reconhecida pelos países de regime democrático.

  • Na sequência do início da guerra entre a União Soviética e a Alemanha, as autoridades Soviéticas reuniram cerca de 50 000 homens Estónios em idade de recrutamento. Embora alguns tenham conseguido escapar, foram enviados para campos de trabalho na Rússia cerca de 32 000 homens, onde permaneceram contra a sua vontade até ao final de 1942. Milhares de homens pereceram de fome, exaustão e epidemias. Em 1942, foi constituído o 8º Corpo de Atiradores do Exército Vermelho, composto por homens que tivessem sido enviados para a União Soviética ou que já ali vivessem.

  • À ocupação Soviética da Estónia, seguiu-se a ocupação Alemã , em Julho de 1941. A ocupação Alemã durou até 1944. Estima-se que tenham perecido, neste período, cerca de 8 000 cidadãos Estónios ou residentes. Mais de 20 000 prisioneiros de guerra Soviéticos e cidadãos de outros países Europeus foram mortos ou morreram em campos de prisioneiros em solo Estónio.

  • Por altura de Junho de 1941, milhares de Estónios refugiaram-se nas florestas do país, procurando evitar a deportação e subsequente mobilização forçada. Outros milhares de homens fugiram para a Finlândia, onde ingressaram no exército Finlandês. Porém, tal como durante a ocupação Soviética, alguns decidiram cooperar com as forças de ocupação Alemãs.

  • Em Agosto de 1942, Hitler sancionou a formação de uma Legião SS na Estónia. Em violação da legislação internacional de guerra, foi iniciada a conscrição de Estónios.

  • Em Janeiro de 1944, o Exército Vermelho iniciou a sua ofensiva no Báltico, progredindo para oeste, na direcção da Estónia, a partir de Leninegrado. No final de Janeiro, deu-se início à mobilização efectiva de Estónios para o Exército Alemão. A 7 de Fevereiro de 1944, o anterior primeiro ministro da Estónia, Jüri Uluots, incitou os Estónios a permitirem a mobilização. A par de outros políticos Estónios, Uluots entendeu o combate com o Exército Vermelho como forma de evitar uma nova ocupação Soviética e, assim, garantir a independência da Estónia uma vez terminada a guerra.

  • Por altura da primavera de 1944, cerca de 32 000 homens tinham sido mobilizados para o Exército Alemão. Foram formados sete dos chamados Regimentos de Defesa Fronteiriça, assim como a 20ª Divisão SS Estónia, constituída por 15,000 homens que tinham sido recrutados para combate nas linhas da frente. Em Agosto de 1944, foram recrutados os jovens nascidos em 1926 tendo, a sua maioria, ingressado na divisão SS Estónia. Nos serviços de assistência da Força Aérea ingressaram, ainda, 3 000 jovens nascidos em 1927 (16-17 anos). Estima-se que em 1944 tenham sido mobilizados para o Exército Alemão cerca de 38 000 homens.

Batalhas na Frente Leste
  • A 2 de Fevereiro de 1944, o Exército Vermelho atravessou o Rio Narva, construindo diversas pontes na preparação de ataques futuros. A 11 de Fevereiro de 1944, o Exército Vermelho iniciou um grande ataque a Narva, ao qual o Exército Alemão se opôs com sucesso. A investida seguinte do Exército Vermelho a Narva teve início no fim de Julho. A 26 de Agosto de 1944, Narva foi conquistada pelos Soviéticos.

  • Na sequência da queda de Narva, o Exército Alemão retirou para a denominada linha de Tannenberg, localizada a cerca de 20 Km a oeste de Narva, em Sinimäe, uma pequena vila no nordeste da Estónia. Nas três semanas seguintes foram travadas duras batalhas nas montanhas vizinhas (‘Sinimäed’). Ambos os lados sofreram pesadas perdas. Muitos Estónios, que combatiam em ambos os lados da frente, perderam a vida. O Exército Vermelho não conseguiu romper as linhas Alemãs.

  • A meio de Agosto, o Exército Vermelho lançou uma ofensiva no Sudeste da Estónia, capturando Võru e Tartu. A investida do Exército Vermelho foi temporariamente atrasada pelas forças Alemãs no Rio Emajõgi. Em Setembro, porém, os Soviéticos reforçaram a frente de batalha com novas forças, incluindo a 8ª Divisão de Atiradores da Estónia. A 16 de Setembro de 1944, Hitler ordenou a evacuação da Estónia. No dia seguinte, 17 de Setembro de 1944, o Exército Vermelho iniciou uma nova ofensiva. De 17 a 22 de Setembro de 1944, as unidades Estónias que serviam ambos os lados confrontaram-se por diversas vezes, perecendo centenas de homens.

Tentativa de restauração da independência da Estónia
  • A 23 de Março de 1944, foi constituído um corpo coordenativo para a Estónia – o Comité Nacional da República da Estónia. Este comité foi apoiado por diversos grupos políticos, incluindo tanto representantes governativos, como membros da oposição que tinham estado activos na política Estónia na segunda metade dos anos 30 e que tinham escapado à repressão Soviética e Alemã. O objectivo do Comité consistia na restauração da independência da Estónia, com base na continuidade legal e da Carta do Atlântico, a qual previa a restauração da independência dos estados que a tivessem perdido no decorrer da Segunda Guerra Mundial.

  • A 1 de Agosto de 1944, o Comité Nacional proclamou-se a autoridade suprema da Estónia. A 18 de Setembro de 1944, o Presidente em funções, Jüri Uluots (o qual tinha sido, igualmente, o primeiro ministro da Estónia aquando da anexação Soviética), indigitou um novo governo liderado por Otto Tief. O objectivo era aproveitar uma breve janela de oportunidade decorrente da situação de confusão generalizada que se fazia sentir entre a partida dos Alemães e a chegada do Exército Vermelho.
  • O governo publicou a primeira “Riigi Teataja” (Gazeta do Estado) e declarou na rádio, em Inglês, a sua neutralidade com respeito à guerra. Enquanto as tropas Alemãs abandonavam Tallinn, foi hasteada a bandeira nacional na Torre Pikk Hermann.

  • O governo abandonou Tallinn antes da chegada do Exército Vermelho. A maioria dos membros de gabinete foram mais tarde presos pelas autoridades Soviéticas e enviados para campos de trabalho na Sibéria. Jüri Uluots conseguiu escapar para a Suécia, onde morreu pouco depois.

Restauração da ocupação Soviética
  • A 22 de Setembro de 1944, Tallinn foi capturada por unidades do Exército Vermelho. A bandeira Soviética foi hasteada na Torre Pikk Hermann, simbolizando a nova ocupação. Até ao final de Novembro persistiram duras batalhas nas ilhas ao largo da costa ocidental da Estónia. A 24 de Novembro de 1944, os Soviéticos concluíram a ocupação da Estónia ao conquistar a extremidade sul da ilha de Saaremaa.

  • A autoridade administrativa Soviética chegou a Tallinn a 25 de Setembro de 1944. O seu principal intuito era a abolição do estado Estónio, incluindo as suas elites nacionais. No período de 1944 a 1953, dezenas de milhares de Estónios foram enviados para campos de trabalho ou deportados.

  • Cerca de 70 000 Estónios foram forçados a abandonar a pátria mãe. Dezenas de milhares rumaram à Suécia enquanto os restantes fugiram para a Alemanha, acompanhando as forças Alemãs na sua retirada e sendo colocados em campos de refugiados. Milhares de pessoas pereceram durante a viagem marítima. Poucos regressaram à Estónia nos anos 90.

  • Apesar da ocupação Soviética da Estónia, os países democráticos continuaram a reconhecer a República da Estónia e as suas representações estrangeiras nos Estados Unidos e no Reino Unido. Em 1991, foi restaurada a independência da Estónia e muitos países, incluindo os Estados Unidos, Canada e os estados membros da União Europeia, restabeleceram relações diplomáticas com a República da Estónia. O ano de 1991 marcou o fim da Segunda Guerra Mundial para a Estónia. As últimas tropas de ocupação foram retiradas da Estónia a 31 de Agosto de 1994.

Baixas Estónias na Segunda Guerra Mundial

População da Estónia em:

  • 1 de Janeiro de 1940 - 1 121 939 (fonte: Gabinete Central de Estatísticas do Estado)
  • 30 de Novembro de 1944 - 885 414 (fonte: Conselho de Comissários do Povo da República Socialista Soviética da Estónia)
Em consequência das ocupações, a Estónia perdeu cerca de um quinto (19.1%) da sua população.


Informação Adicional:

Fundação Estónia Kistler-Ritso
Max Jakobson: O passado, um fardo nas nossas costas
Comissão Internacional Estónia para a Investigação de Crimes contra a Humanidade


Esta folha informativa foi compilada com o auxílio de Tõnu Tannberg, Toomas Hiio, entre outros.

TopBack

© Embaixada da Estónia em Lisboa Rua Filipe Folque nr.10ºJ-2ºESQ, 1050-113 Lisboa, tel. (351) 21 319 4150
e-mail: Embassy.Lisbon@mfa.ee